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Brazil: Lula's Victory

The presidential election results in Brazil showed, despite dire opposition predictions that victory for Luiz Inacio Lula da Silva would produce an untenable political situation, that Lula indeed has the political capital needed to lead Brazil for the next 4 years. Speculations about a divided country and the possible governance problems vanished in the face of the final results, which gave Lula 5.5 million more votes than in the 2002 election when he won his first term. In the first week after victory, blogs were still analyzing the election statistics to assess the new political landscape.

As primeiras 48 horas posteriores ao segundo turno mostraram que estavam equivocados aqueles que apostavam num recrudescimento da crise política no caso da reeleição de Lula. A expressiva votação do presidente e sua forte recuperação no Sudeste, onde venceu, e no Sul, onde perdeu por pouco, sepultaram as teses aventureiras do “terceiro turno” e da “eleição sub-judice”.
O clima em Brasília já é outroConxão Política | Franklin Martins

The first forty eight hours after the second round has shown that all who bet on a exacerbation of the political crisis in case of Lula's reelection were wrong. The President's significant vote and his strong recovery in the Southeast, where he won, and in the South, where he lost small, have doomed the audacious thesis of a ‘third round’ or that the election could face legal challenge.
Brasília's mood is already changedConxão Política | Franklin Martins

Alckmin só venceu em sete Estados: São Paulo, os três do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Roraima. E só neste obteve mais que 55% dos votos. Fica difícil falar, assim, em “país dividido” por regiões e mesmo por classes. Lula teve vitória ampla nos chamados grotões, sim; mas nas regiões mais desenvolvidas é que faz sentido falar em divisão, jamais em hegemonia tucana. Tanto é que foi onde Lula mais reconquistou espaço do primeiro para o segundo turno. Com quase 61% dos votos válidos, praticamente repetiu o resultado de 2002.
A derrota do simplismoDaniel Piza

Alckmin won only in seven States: São Paulo, the three in the South, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul and Roraima. And only in one did he obtain more than 55% of the votes. It's hard to talk about a ‘divided country’ regionally or even by classes. Lula achieved a broad victory among the poor, yes; but only in the more developed [urban] regions does it makes sense to talk about a division, and never of an opposition's [national] hegemony. With almost 61% of the valid votes, Lula almost repeated the result of 2002.
Over-simplification defeatDaniel Piza

No segundo turno, além dos votos dados aos outros candidatos levou mais cerca de 4 milhões de votos de Alckmin. Graças ao seu desempenho pessoal na campanha. Não foram os governadores que ajudaram a ele ter mais votos. Ele é que ajudou os governadores. Não foi conta do PT. Foi por ele, pelo grande artista que é. 12 milhões de votos a mais. Não são razões de sobra, para ele se achar o máximo? Usando um termo meio em desuso: “é ai que mora o perigo”.
12 milhões a maisInteligência Estratégica

In the second round, in addition to the votes that were shifted from other candidates in the first round, Lula took more than 4 million votes from Alckmin due to his own personal performance in the campaign. It was not the governors who helped him get more votes. He was the one who helped the governors. It was not the PT [Workers’ Party], it was just him, the great artist. Twelve million additional votes. Isn't it a good reason for him to be full of himself? To use an old saying: ‘that is where danger lies’.
12 million addedInteligência Estratégica


The press conferences after the elections
have shown a calm and relaxed Lula, waving with agreements with the opposition and improvements in the relationship with international partners. Indeed, the relaxed mood extended through the week with the Day of the Dead holiday [November 2] and the President decided to take some days off to cool out from the last month's double work schedule as candidate and chief executive. As reasonable as rest seems, his absence at the Iberian-American Summit has caused complaints from Brazil's neighbors and partners in the Mercosur common market.

Em público, Lula diz que quer estabelecer “relação privilegiada” com os EUA no segundo mandato. Em privado, ele organiza sua primeira viagem internacional como presidente reeleito. Vai ao encontro de Hugo Chávez, presidente da Venezuela e inimigo número um de George Bush na América Latina… Na semana passada, em entrevista a três jornais europeus –o italiano La Repubblica, o espanhol El Pais e o francês Le Figaro—, Lula dissera que um de seus objetivos na área externa é o estreitamento de relações com os EUA. Fez questão de diferenciar-se do companheiro Chávez: “A relação da Venezuela com os EUA não é a do Brasil. Cada presidente governa em função da cultura política de seu país. Quando se trata de política externa na América do Sul, pensamos igual, mas quando se trata de relações estratégicas, ele (Chávez) pode pensar uma coisa e eu outra”.
Depois de acenar para os EUA Lula encontra ChávezJosias de Souza

In public, Lula says he wants to establish a ‘privileged relationship’ with the US during his second term. In private, he plans his first international trip as reelected President. He is going to meet Hugo Chavez, Venezuela's President and George Bush's number one enemy in Latin America… Last week, in an interview to three European newspapers — the Italian La Repubblica, the Spanish El Pais and the French Le Figaro — Lula said that one of his goals in international affairs is the strengthening of Brazil's relationship with the US. Lula was fast to differentiate himself from his companheiro Chávez: ‘Venezuela's relationship with the US is not the same for Brazil. Each President governs relative to the local political culture. When we come to international affairs. When we deal with South American external policy, we do think equally, but when we are dealing with strategic relations, he (Chávez) can think about one thing and I another”
Depois de acenar para os EUA Lula encontra ChávezJosias de Souza

Lula é criticado por ausência em cúpula ibero-americana – Em um momento crítico da crise entre Uruguai e Argentina, exatamente quando os dois países anunciam que foi interrompido o diálogo, Lula, presidente “pro tempore” do Mercosul, tornou-se motivo de piadas e críticas na televisão e nos jornais uruguaios por ter sido fotografado de sunga, descansando em uma praia. O questionamento estava também nos corredores da cúpula, segundo contaram diplomatas, e se tornou um dos principais assuntos do encontro. tsc tsc tsc.
Por que Lula não foi???Alerta Brasil

Lula is being criticized for his absence at the Iberian-American Summit at a critical moment in the Uruguay-Argentina crisis, exactly when both countries have announced that the dialogue has been suspended. Lula, as Mercorsur's President pro tempore, was addressed with jokes and criticism on Uruguaian TV and in newspapers for the pictures showing him relaxing on a Brazilian beach. The polemic was also spread in the Summit's corridors and became one of the main issues at the event, as reported by diplomats. Tsc, tsc, tsc…
Why Lula has not gone???Alerta Brasil


In his first appearences after the election
, Lula also signaled that he will not go further with the controversy about the media role during the campaign. But the blogosphere is still in congratulatory mood about how the alternative debate got traction and made a difference in the process despite being ignored for awhile by the traditional media channels. It seems clear to all who followed the election campaign on the web that something very new has emerged. There is a significant new citizen media and now there is a large audience eager to follow the debate on new policies for the communications sector. But there are also the ones who see all the novelties merely as Worker Party strategies to dominate the media space.

A respeito, vale citar declaração recente do deputado federal Ciro Gomes, eleito com mais de 600 mil votos no Ceará e um dos políticos mais demonizados pela imprensa justamente por ter idéias próprias. Em entrevista ao blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, sediado no portal iG, Ciro refletiu: “Precisamos ter clareza de que não temos de ter medo de avançar em uma questão substantiva, que é a questão da democratização dos meios de comunicação. Quando a gente discute esse tema, os que têm o monopólio da mídia vão sempre inventar que isso é autoritário. Não é”.
Mino Carta – Carta Capital – GenialOlhos da Eternidade

In context, it is worthy quoting the recent declaration from Federal Deputy Ciro Gomes, elected with more than 600 thousand votes in Ceara, and one of the most vilified politicians in the media exactly because of his own independent ideas. In an interview with the Conversa Afiada blog, of journalist Paulo Henrique Amorim, hosted in the IG portal, Ciro reflected: “We need to be clear that we are not afraid to advance a substantive issue, which is the democratization of the media. When we approach this theme, the media monopolists will always say we are being authoritarian. We are not.
Mino Carta – Carta Capital – GenialOlhos da Eternidade

É isso aí. Em primeiro lugar, Amorim acha que Carta Capital é exceção “numa mídia maciçamente de oposição”. Huuummm. Nem Mino Carta, seu amigo, definiria a revista tão bem. Amorim é hoje o jornalista mais petista do Brasil. Não sei se é convicção ideológica ou ainda rancor contra a Rede Globo. O que ele diz não tem nem importância nem influência, o que não quer dizer que não revele intenções — afinal, ele é um “deles”.
Controle da mídia: uma conversa do arco da velhaReinaldo Azevedo

That's it. Firstly, Amorim thinks that ‘Carta Capital’ is an exception in a ‘massively opposition media space’. Hummm. His friend Mino Carta would not have such a perfect label for the magazine. Amorim is today the most PT-ist journalist in Brazil. I don't know if it is ideological conviction or simple bitterness against Rede Globo [his former employer]. What he says has no importance or influence at all, which doesn't mean that it can't reveal intentions — after all, he is one of them.
Media Control: an old conversationReinaldo Azevedo

É curioso essa relação Lula e mídia. No geral, concede o que lhe exige, vide TV digital. Em circunstâncias normais, jamais ousaria enfrentar o desafio da democratização da mídia. O tema, que vai acabar se refletindo na nova Lei Geral das Comunicações, está se impondo por si.
Lula e a mídiaLuis Nassif Online

The relationship between Lula and the media is really curious. He concedes on everything, as we can see in the Digital TV case. In normal circumstances he would never choose to face the challenge of media democratization. But the issue is imposing itself at this moment and will be debated in the new General Law of Communications.
Lula and the mediaLuis Nassif Online


There are some bloggers who really got worn out
from the passionate and polarized debate that took place across the Brazilian web during the last weeks of the election campaign. Now is the time for them to calm down in order to renew an environment where people can work and collaborate together.

Neste cenário, em que proliferaram adesivos com dizeres estúpidos como “o bem sempre vence o mal”, não é de se admirar que eu tenha encontrado gente lamentando a reeleição com termos como “o Brasil não vai agüentar mais quatro anos de Lula” ou, pior, “bem feito, esse povo agora vai tomar na cabeça” (frases verídicas que tive de aturar na última segunda-feira). Por que ainda me espanto com essa torcida do contra, neste clima futebolístico que incitou rivalidades gratuitas e fez com que pessoas usassem termos pejorativos como “petralhas” e “tucanalhas”?
Festa da democracia?Pensar Enlouquece, Pense Nisso

In this scenery where we see stupid stickers saying ‘the good always win over the evil’, it is not a surprise that I have met people carping about the reelection in terms like ‘Brazil won't endure four more years under Lula’, or worse, ‘it is well done, now these people will suffer what they deserve’ (phrases I truly had to endure last Monday). Why do I still get surprised with this crowd that roars against, in this football-ish mood which encourages rivalries and makes people use belittling terms such as ‘petralhas’ and ‘tucanalhas'?
Democracy Party?Pensar Enlouquece, Pense Nisso

Summing up, Lula seems to be in a better position for his second term compared with what he had four years ago. Now he has a significant political base. As we observe the meaning of what his voter support expresses it appears that Brazilians expect to have a President ready to make it right, to make corrections in the areas that produced so much frustration for his supporters during the first term. Two main aspects are center stage: the ethical one and economic development.

Pelo menos 15 dos 27 governadores eleitos estão alinhados com Lula no segundo mandato. O apoio majoritário pode se configurar num dos principais trunfos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na composição da base aliada no segundo mandato, conforme analistas políticos. Para o cientista Carlos Melo, do Ibmec, contabilizando apoios formais e informais, Lula parte de uma base de 17 [ele inclui os governadores eleitos da Paraíba e de Goiás], podendo ampliar para 20 o número de governadores aliados.
Governadores Devem ajudar a costurar a base aliadaBrasil! Brasil!

At least 15 from 27 elected governors are aligned with Lula in his second term. This majority support can be one of Lula's main assets in the composition of the allied base, according to the political analysts. The [political] scientist Carlos Melo, from Ibmec, counting both formal and informal support, declares that Lula will start with a base of 17, with possibilities of expanding it to 20 elected governors.
Governors will help forming the allied baseBrasil! Brasil!

Lula ganhou a segunda chance. A partir de amanhã as maiores cobranças não partirão dos carbonários, mas de seus eleitores. Com esse segundo voto de confiança, não poderá mais falhar, seja no plano ético ou no econômico. Ele não foi eleito pela mídia, nem pelos coronéis. Foi eleito por pessoas que, de norte a sul, mesmo ante escândalos concretos, acreditaram que ele poderia ter a segunda chance e melhorar o Brasil. Não tem mais o direito nem de errar, nem de se acomodar, nem de empurrar a política econômica com a barriga.
Gente HumildeLuis Nassif Online

Lula won his second chance. Starting tomorrow, the biggest demands will not come from the fierce opposition, but from the ones who elected him. With this second vote of trust he can't fail anymore, either on the ethical plane or on the economy. He was not elected by the media or the oligarchies. He was elected by people who, from north to south, even in the face of real scandals, kept believing that he deserved the second chance to make a better country. He won't have the right to go wrong anymore, or to accommodate, or not to give priority to economic development.
Gente HumildeLuis Nassif Online

4 comments

  • […] NMM finds that Carta Capital stands up to fact-checking, and Veja does not. But to GVO, all points of view are equally legitimate, and all parties are entitled to their own facts. An innovation in journalism, indeed. […]

  • Raquel

    Murilo, você não vai escrever nada sobre o projeto de lei do Eduardo Azeredo que controla o acesso a Internet no Brasil, obrigndo a identificação dos usuários da internet antes de iniciarem qualquer operação que envolva interatividade, como envio de e-mails, conversas em salas de bate-papo, criação de blogs, captura de dados (como baixar músicas, filmes, imagens), entre outros?

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20908.shtml

  • deadman

    A gloria da victoria no Brasil e que a era de poder corporativo usado ao contrario do preciso gentil comenca ser passado. Vai continuar no Brasil, o ordem de maconeria, que precisa uma nova voz numa patria. A pobreza tem que ser uma responsibilidade dos negocios. Terra precisa um novo heroi, Brasil pode ser. E o preco de existir num pais moral. America ja e corruptado, velho e sem coracao, necesitamos um novo exemplo para lembrar a ideal.

  • […] Lula’s victory on the last presidential elections, many local media theorists are mentioning the evident change in […]

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